05 Janeiro, 2006

Manuel Alegre, sim

Por Joaquim Jorge
Biólogo e membro da comissão de honra de Manuel Alegre
in Jornal
O Primeiro de Janeiro

Eu penso que no próximo dia 22 de Janeiro,para a eleição do próximo Presidente da República, os Portugueses tem que perceber que além desta eleição unipessoal, protagonizada por cidadãos está em causa premiar o inconformismo, contra o desalento,o fatalismo,o desinteresse, a diletância,o não vale a pena . Uma nova forma de fazer política procurando e bem alterar o funcionamento dos partidos e não contra os partidos. Apesar de ser acusado, um homem de partido e de ser deputado desde a vigência da nossa Democracia foi um homem que tomou posições muitas vezes contrárias à direcção do seu partido. Ser livre, pensante, questionador e não alinhado, não pode ser entendido como um velhaco ou maroto. A evolução é questionar e pôr em causa as coisas é sinal de mudança.A renovação política passa pelas ideias não pela idade das pessoas , o seu pensamento em constante mutação e interpretativo do mundo à sua volta. Um homem que politicamente é actualmente o vice-presidente da Assembleia da República, com uma vida política brilhante mostrando um desapego ao poder enorme pois recusou várias vezes ser Ministro ou outros cargos apelativos. Fazendo parte da história do PS e da Democracia Portuguesa.Os debates e esta pré-campanha mostraram que Alegre está no bom caminho,sofreu ataques até de índole pessoal de quase todos os candidatos.Isto mostra a sua força pois quem ataca para mim mostra a sua fragilidade.O seu único adversário é a “crise” e mostra uma salutar criatividade ao pôr na agenda da discussão política :a Pátria ;a Cidadania; o cumprimento da Constituição;uma sociedade de confiança;um contrato Presidencial;um pacto Económico Social; a qualificação e Cultura de inovação; a modernização da Educação; uma Diplomacia de paz; uma visão política da Europa;uma aliança de civilizações;o espaço estratégico da CPLP; o novo papel das Forças Armadas ; um Magistério de proximidade e de exigência; com todos os Portugueses e por todos os Portugueses; a Constituição e a Cidadania; o combate à Exclusão.Tem tido uma postura educada,elevada,sem ressentimentos, positiva, influenciadora, personalizada e independente.Alegre merece o benefício da dúvida primeiro pela coragem e segundo , ser gerador de uma mudança positiva, que seja capaz de uma nova forma de fazer política. Merece uma oportunidade. Poderá a ajudar a interpretar os poderes da constituição, reabilitar o político,a política e os políticos.Gerar confiança: confiarmos uns nos outros e na nossa capacidade,confiarmos nas palavras que trocámos e nos compromissos que assumimos,confiarmos na nossa honra e no combate à corrupção .O Estado confiar nos cidadãos e os cidadãos no Estado. Exigir uma boa governação e reabilitar a política,diminuindo os “exceentes”políticos. Reforçar o dever de prestar contas e de avaliação de todos os agentes da República.Ter um horizonte temporal que permita entender os sacrifícios e seu fim, a refilantrofização da sociedade, a dessacralização do Mundo e perda de sentido. Aconteça o que acontecer já foi feita história,o voluntariado e a nova dinâmica da sociedade civil estão aprovadas e testadas pela forma como se impulsionou esta candidatura não podendo esquecer a alma das gentes do Algarve e de Viseu que catapultaram esta candidatura e que teve continuidade em muitas gentes de todo o País do Norte ao Sul passando pelas regiões Autónomas e Emigração ( cidadãos portugueses residentes no estrangeiro ) . Mas atenção em virtude do êxito deste movimento levado a cabo por uma mão cheia de carolas não se deve desviar da sua acepção. A beleza deste movimento é a sua pureza de intenções tendo por lema levar Alegre a presidente sem ser contra o PS ou porventura outros. Sem hierarquias e nomes aparentemente “sonantes”. Chegar aqui na posição que as sondagens nos dão e acalentando hipóteses de uma 2ªvolta é bom mas nós queremos mais, levar Alegre a presidente . Está na hora de fazer um balanço do que foi feito, do que correu menos bem e do que se pode fazer para um novo incremento e élan nesta recta final. Nesta fase a logística e operacionalidade é mais importante que tudo o resto, qualquer pormenor deixado ao acaso nos pode prejudicar assim como uma particularidade nos pode ajudar. As sementes ideológicas já estão lançadas. Porém é a candidatura mais pobre em dinheiro como se vê nos poucos “outdoors” em comparação com as outras candidaturas mas é a mais rica em emoção, criatividade, conteúdos, valores , determinação, ânimo, espírito e fantasia por algo que está bem patente aos olhos dos Portugueses.A realidade política está muito desfasada do quotidiano dos portugueses Alegre percebeu os factos e índícios deste fenómeno que é o divórcio entre a sociedade e a política.Por esta razão e pela forma estóica como avançou sem temores mesmo sabendo que iria provocar desamores na sua família política. Em Portugal antes do 25 de Abril,ninguém podia falar e dar opiniões e eles ouviam-nos.Hoje falámos,falámos e ninguém nos ouve.Espero que os Portugueses ouçam e apoiem Manuel Alegre.

2 Comments:

Anonymous Teresa said...

Parabéns,Dr Joaquim Jorge, pois acertou na "mouche" e foi ao cerne da questão, ao âmago do problema: a Esquerda de Valores, esta Esquerda que cultiva a espiritualidade sabe que Manuel Alegre é de facto o melhor símbolo da integridade e da preservação de valores caros a todos nós. Mas, chegará esta mensagem ao coração do povo? será que a informação narcotizante, prenhe de banalidades e de sorrisos dentífricos sem profundidade irá mais depressa? Será que o dinheiro fabuloso investido no marketing por Cavaco e seus acólitos falará mais alto?
Esperemos que não. Há que dar um voto de confiança à maturidade desta gente que está farta de ser explorada por "colarinhos brancos" cheios de prosápia mas sem a cultura da solidariedade e da justiça social, cheios de basófia
mas despidos de ideias e de ideais libertadores, cheios de ambições para a casta que os idolatriza (a nova plutocracia de Abril e de Novembro) mas sem laços de afectividade às classes exploradas, à gente pobre e humilde abandonada à sua sorte por um capitalismo selvagem que só vê palavras como: lucro, deslocalização, rendibilidade, competitividade, "emagrecimento",
precaridade para aos outros e estabilidade e prosperidade para a clique. Chegou a hora de libertarmos as amarras e gritarmos: "O cavaquismo vai nu!"
Teresa de Jesus

2:15 PM  
Anonymous Anónimo said...

Gostaria que lessem, no meu blog (www.portodaspipas.blogs.sapo.pt), o artigo que amanhã será publicado em três diários dos Açores, e que já está no portal www.azoresdigital.com . Como digo e repito eu vou votar no Candidato do Sonho. E espero poder fazê-lo duas vezes...
Miguel de Sousa Azevedo
(Angra do Heroísmo-Terceira-Açores)

2:25 PM  

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